Publicado por: Eduardo Wagner | abril 18, 2008

O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?

Este post faz parte da idéia da blogagem coletiva contra o analfabetismo, concebida pela Meire e pela Geórgia do Saia Justa. E este blog, apesar de ser um lugar em que na maioria das vezes se volta para o humor e descontração não poderia ficar de fora.

Hoje, 18 de abril, Dia do Livro foi escolhido como o dia para a blogagem coletiva.

Desde meados da década de 1990, diversos países passaram a celebrar no 23 de abril, por recomendação da Unesco, o Dia Mundial do Livro. A escolha da data não foi a toa: foi nesse dia que morreram, em 1616, Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega. Nessa mesma data nasceram autores como Maurice Druon, K.Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo.

Não é preciso nos esforçar, ou ir longe para percebermos claramente aquilo que as pesquisas e estatísticas apontam. Que o Brasil vai mal, bem mal no quesito educação.

A sequência de governos exercendo a função de fabricar dados que provassem o quanto nós melhoramos na educação, no quanto diminuímos as taxas de analfabetismo ou no quanto temos potencial para sermos desenvolvidos, a qualidade da educação foi ficando de lado, esquecida e sendo influenciada por outros n fatores como o sucateamento de diversas escolas, salários defasados e a necessidade de muitos alunos trabalharem para o sustento da família, o que resultou no quadro vergonhoso da educação no país.

A internet, com todo seu conteúdo, como o deste blog que vos fala, é um importante instrumento na disseminação e aperfeiçoamento da educação, mas não nos iludamos, ela é apenas um complemento e porque não uma fonte de exercício da mesma. Mas como falar em inclusão/educação digital se ainda não conseguimos fazer o dever de casa da maneira tradicional e mais abrangente?

Como o próprio post convocatório para a blogagem já dizia, as pequenas ações, locais, também contribuem para que a árvore da alfabetização gere frutos. Em tempos de assistencialismo exarcebado (não que eu seja contra, mas este mais dá o peixe do que ensina a pescar), tendemos achar ainda mais que a batata quente é do governo, e ele que trate de se virar com ela.

Há pequenas ações no cotidiano que podem disseminar a cultura, ajudando no combate ao analfabetismo. Seja ela através do pequno jegue no Maranhão, que se transformou em uma biblioteca ambulante, ou em uma ação bonita que ocorre aqui em Brasília, através do Açougue Cultural T-Bone.

Isso mesmo. Um açougue que é biblioteca. Hoje incluso na ONG Projetos Culturais T-Bone. Fundado por Luiz Amorin, ex-empregado do açougue, que durante o tempo em que morou nos fundos da loja, lia para passar o tempo, e que acabou apaixonado pelos livros. Quando, em 1994, os antigos donos do açougue resolveram vender a empresa, Luiz comprou e transformou a loja no primeiro açougue-biblioteca do mundo.

Com diversas atividades culturais, tais como a Noite Cultural, a ONG se destaca pela criação do projeto Parada Cultural, onde em uma atitude inédita, várias paradas de ônibus se transformaram em pequenas bibliotecas abertas ao público 24 horas por dia, sem vigias, onde os passageiros mesmos pegam os livros, anotam, fazem doações e organizam as coleções. Veja o vídeo da reportagem do Jornal Nacional aqui.

Nas palavras dos criadores:

“Pontos de ônibus são, por definição, locais onde os moradores das cidades embarcam para as suas pequenas viagens do dia-a-dia. Os trabalhadores para as suas lidas, os estudantes para suas jornadas e todos os que dependem do transporte coletivo para seus afazeres cotidianos para além de onde os pés alcancem.

Parada Cultural é o mais novo projeto Cultural da ONG Projetos Culturais T-Bone. Instalamos 17 bibliotecas em pontos de ônibus da Asa Norte, nas quadras 712 a 510.

A Parada Cultural – Biblioteca Popular funciona 24 horas por dia. O acesso aos livros é sem burocracia, basta preencher um cadastro no local. Enquanto o ônibus não vem, peque um livro e faça uma viagem no maravilhosa no mundo da literatura.”

O projeto todo é bancado pelo açougue, doações, voluntários e Ministério da Cultura.

Outros blogs que participaram da blogagem:

  1. Adelino
  2. AleBriscoe
  3. Allan
  4. Andrea Motta
  5. AnnaPontes
  6. Anny
  7. Bel
  8. Cejunior
  9. Celia Santos
  10. Cidao
  11. Cilene Bonfim
  12. Claudia Pit
  13. Cybele Meyer
  14. Crispassinato
  15. Denise BC.
  16. Drops Azul Anis S
  17. Lys
  18. Elizabeth Cunha
  19. Elvira
  20. Fabio Mayer
  21. Fernanda J.
  22. Flainando na Web
  23. Flavia vivendo em coma
  24. Georgia
  25. Gil Gomes
  26. GuGa
  27. Julio Moraes
  28. Jussara
  29. Luci Lacey
  30. Lili faz a sua parte
  31. Lino Resende
  32. Lou Melo
  33. Lucas
  34. Lu
  35. Luiz Valerio
  36. Lulu on Sky
  37. Luma
  38. Lunna
  39. Marcos
  40. Marcos V.
  41. Maria Augusta
  42. Mario
  43. Meiroca
  44. Mirella
  45. Naldy
  46. Nina
  47. Odele
  48. Oscar Luiz
  49. Ozeca
  50. Patti
  51. Profa. Cristiana Passinato
  52. Ricardo Rayol
  53. Ro (Iliquido)
  54. Ronald
  55. Rosa
  56. Rosane
  57. Sandra
  58. Sergio Ferreira
  59. Sergio Issamu
  60. Taliesin
  61. Tina
  62. Varal das ideias
  63. Vi Marcia
  64. Xico Lopes


Responses

  1. […] Eduardo Wagner […]

  2. Esta ideia do Açougue e da parada de onibus, é genial, incentiva a leitura.
    Eduardo obrigada pela participaçao.
    Um abraço,
    Meire

  3. A internet é maravilhosa para quem sabe ler, escrever e pensar, mas é deletéria para quem só sabe ler e escrever.

    A prova disso é que adolescentes de hoje em dia criam dialetos proprios para se comunicar dentro de suas “tribos” virtuais, subvertem regras gramaticais e quando precisam delas, não conseguem usá-las.

  4. […] Eduardo Wagner […]

  5. Olá Educardo Wagner,

    Parabéns pelo belo post e pelos exemplos que citou nele.
    Além dessas pessoas criativas (jegue/açougue)também tem aquelas que iniciam um comportamento habitual e acabam sendo imitadas. Como é o caso das pessoas que utilizam o metrô como meio de transporte. Há uns cinco anos atrás era uma ou outra pessoa que lia durante o trajeto. Agora quase metade dos usuários lêem enquanto viajam, não importando se estão de pé ou sentados. Este aumento nesse comportamento é resultado de uma ação continuada, mesmo que tenha sido sem a intenção de contagiar.
    Sucesso sempre
    Abs
    Cybele Meyer

  6. Eduardo a escolha da data foi mesmo intencional, nao por estes mestres que você citou mas por ser o dia do maior escritor brasileiro que o Brasil já teve: Monteiro Lobato, o autor para as criancas. O criador do Sitio do Pica Pau Amarelo.

    Seu post está fantástico principalmente com esses exemplos dos ponto do ônibus e do acougueiro.

    E nós o que podemos fazer mesmo de concreto?
    No fundo de um barzinho? Meu esposo diz que aprendeu a falar bem o português freqüentando esses lugares no Brasil,rs.

    Abracos e obrigada pela participacao

  7. […] Eduardo Wagner […]

  8. Bom dia Eduardo.
    Sou responsável por uma biblioteca pública em Barueri e tenho 16 oficinas que se dividem entre: literárias artísticas e culturais, porém tenho espaço para maiss oficinas.
    Gostaria muito de trabalhar com analfabetos desenvolver um trabalho específico e não sei como começar. Estou pesquisando, e aceito de bom grado qualquer tipo de ajuda.


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