Publicado por: Eduardo Wagner | dezembro 1, 2007

A Intolerância e o Urso de Pelúcia

Esta semana foi noticiada em vários meios de comunicação a prisão da professora britânica Gillian Gibbons no Sudão, por ter deixado alunos seus darem o nome Maomé a um ursinho de pelúcia. O que para os seguidores de Maomé, o profeta não o ursinho, seria uma blasfêmia para com o profeta. Também não pode ter sua imagem retratada. Dias depois ela foi condenada a 15 dias de prisão. Isto já é um absurdo, mas estaria bem pra ambas as partes, já que ela poderia ser condena à morte.

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Mas a população não se sentiu satisfeita e saiu às ruas armados de clavas e facas, pedindo a execução da professora. Veja bem o que eles fizeram, após as orações do dia sagrado dos muçulmanos, saíram armados pedindo a morte de alguém que estava ensinando as crianças do país.

Veja bem alguns dados. O índice 2007 sobre Estados Falidos, elaborado pela revista “Foreign Policy” colocou o Sudão como o pais em pior situação do mundo, à frente do Iraque. Também estão numa guerra entre etnias na região de Darfur que já matou ao menos 200 mil pessoas e expulsou de suas casas outros dois milhões a três milhões.

Então, ao invés de tentar protestar pela paz, ou contra os políticos, contra a corrupção, o orgulho ignorante da fé fala mais alto e saem pedindo a morte de uma pessoa que estava se doando ao país, por um motivo estúpido. Pois sempre atrás de uma massa de manobra há os representantes oficiais da religião instigando-os ao radicalismo. Há também o fator “quero ver sangue” que a raça humana carrega.

Não escrevi isto para destratar uma crença ou outra, apesar de eu não acreditar em nenhuma, mas a ignorância religiosa é uma coisa inaceitável em qualquer lugar.

E não pensem que é só lá, pois aqui no Brasil tem muita gente se aproveitando desta ignorância para se dar bem, e não me estranharia nenhum pouco se demonstrações de intolerâncias começassem a aparecer por aqui.

Atualizado em 03/12: Segundo o Washington Post,  o primeiro ministro do Sudão concedeu perdão à professora e a liberou de cumprir o restante da pena nesta segunda feira.

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